Wednesday, September 30, 2009



Cabeça e coração em guerra aberta e declarada. A alma fica parada, à espera que passe. Na esperança que passe. Na esperança que a cabeça um dia acredite que nem tudo tem uma explicação, ou que o coração aprenda que há males que vêm por bem. Um deles tem de ceder.

Enquanto isso, tudo o resto morre devagar... Porque alguém disse, um dia, numa melodia banal intercalada com palavras cheias de sentido: "é preciso morrer e nascer de novo, semear do pó e voltar a colher".
 
By Joana @ 1:37 AM | 3 pegadas na Lua
Saturday, June 6, 2009






É aqui a nossa casa. Não a contruímos, nem nada fazemos para a manter. Mas é aqui que, sem sabermos bem porquê, de forma inevitável, tudo parece fazer sentido.

Enquanto o chá arrefece, vamos partilhando de forma mais ou menos clara as aventuras e desventuras das viagens de cada um. O cansaço dá lugar a uma calmaria que só aqui encontramos. As nossas mãos adormecem juntas, e acordamos a partilhar um sorriso.
E partimos. Sem certezas, mas também sem grandes dúvidas. Todos os viajantes precisam de um porto seguro a que chamam "casa".

"Nunca senti bater o meu coraçãoh
Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca, o tempo voltou atrás
E se foi louca essa loucura,
Essa loucura foi paz."



 
By Joana @ 6:53 PM | 0 pegadas na Lua
Saturday, May 30, 2009



Pela janela entreaberta chega-nos uma brisa morna com cheiro a Verão e maresia. Timidamente, partilhamos um sorriso cúmplice.

Com um fascínio quase infantil, sigo o movimento das tuas mãos, hoje sobre as cordas, e deixo-me levar. Depois, fecho os olhos, e permito-me que me cantes, em jeito de sussuro, ao ouvido. Sabe bem.

"When 'r' you gonna realize, it was just that the time was wrong, Juliet? "

[Há coisas que não se explicam. Tomara que o Universo faça o seu papel e que este conto tenha, no tempo certo, um não-final feliz]
 
By Joana @ 7:37 PM | 0 pegadas na Lua
Thursday, April 30, 2009
Foto: Crystal Newton




Fechei os olhos com a mesma convicção com que cerrei os punhos.

Fiquei assim uns instantes e, num momento de puro egoísmo, desejei com todas as minhas forças que o Mundo acabasse amanhã.
 
By Joana @ 4:13 PM | 0 pegadas na Lua
Monday, April 6, 2009

"Fecha os olhos e pede um desejo", disse-me ele, enternecido.
"Eu não preciso de nada", disse eu. Ele sorriu.


Eu fechei os olhos e, em segredo, desejei conseguir adormecer em Paz quando a noite chegar. E acordar num qualquer dia seguinte, com um bocadinho menos deste peso que carrego em mim e que não sei descrever.

Há quem lhe chame saudade... Eu já não sei que nome lhe dar.




 
By Joana @ 4:00 PM | 2 pegadas na Lua
Tuesday, March 3, 2009


Foto: Marek Askiel

Com o passar do tempo, o meu barquinho foi crescendo. Tu ensinaste-me a escolher as melhores madeiras, com o mesmo entusiasmo que hoje me ajudas a içar as velas. As amarras, essas, desfaço-as sozinha. Com a alma bem apertada, mas a cabeça altiva de quem não tem dúvidas que escolheu o melhor rumo, na melhor altura possível (e há muito deixou de acreditar que há um tempo certo para tudo).

Vou deixar-me ir, tendo o horizonte como destino. Não pela vontade de me dar ao mar, mas pela necessidade de te deixar no cais. Porque tudo fica em Paz quando finalmente aprendemos (e compreendemos) que nem todos são felizes a navegar. Uns constroem um barco (uma caravela, uma casquinha de noz) e encontram a felicidade na viagem que fazem à sua procura. Outros são felizes no cais, à sua maneira, a ver as gaivotas planar por entre as nuvens, e apenas com a certeza de que o Sol, amanhã, como ontem, voltará a nascer.



 
By Joana @ 5:57 PM | 2 pegadas na Lua
Thursday, December 18, 2008
Foto: Mateusz Zych

Há dias em o nosso Mundo parece pequeno demais para nós próprios.

... em que não sabemos bem se a estrada que percorremos foi aquela que escolhemos.

... em que até a mais simples decisão (vermelho ou verde?) nos parece impossível de tomar.

Há dias em que a alma cansou demais o corpo, sem pedir licença.

Hoje vou fugir do dia e esconder-me em ti. Só na imensidão do nosso abraço me sei perder, para me encontrar.

 
By Joana @ 5:13 PM | 3 pegadas na Lua
Monday, September 29, 2008


Desfez-se o nó na garganta que me sufocava e já não me deixava respirar.

Dei-te o meu pequeno nosso-segredo, sem embrulhos bonitos nem laçarotes. Sem dedicatórias sentidas e trabalhadas. Sem o abraço para selar tudo isso.

Desfaz-se um nó... dão-se outros.

E assim, com o coração apertado e a cabeça invadida de milhares de pensamentos-surpresa que não compreendo e não sei explicar, deixo-me adormecer. Sei que o Tempo fará o seu papel. E tu o teu. E eu o meu.
 
By Joana @ 4:57 AM | 2 pegadas na Lua
Wednesday, September 24, 2008


Saí sem fazer barulho, de mansinho, para não te acordar. Na mesa que deixei preparada para o pequeno-almoço, colei um post-it amarelo, que enchi com letras bonitas de menina:



Fui às compras. Não fugi. Não quero fugir,
e mesmo que quisesse não conseguiria.
Para fugir de ti teria de fugir de mim primeiro.
Se eu chegar antes de mim, recebe-me
com um sorriso, diz-me que estiveste sempre aqui
(tal como a saudade), faz-me sentir amada,
e não me largues nunca mais.
BOM DIA!







Foto: Alina Andrei

 
By Joana @ 5:22 PM | 0 pegadas na Lua
Sunday, September 21, 2008


Foto: Dwawid


Andar para a frente. Dar um passo, depois outro. Parar... repensar... mas continuar. Cair. Levantar. Tudo isso faz parte do processo.
Andamos em frente... havemos de chegar a algum lado.

Já parti. Estou longe. Mas, tal como os meninos da história, fui deixando bocadinhos de mim pelo caminho. Talvez pela segurança de conseguir voltar, se a Casinha de Chocolate afinal for demasiado amarga (ou doce).

Procuro a Felicidade noutro lugar, levando comigo o desejo secreto de a encontrar onde tu também estiveres. Noutro lugar, como mandam as regras da canção. Contigo, como mandam as minhas.

"Nunca voltes ao lugar
Onde já foste Feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz"

 
By Joana @ 2:54 PM | 2 pegadas na Lua
Wednesday, September 3, 2008

Foto: Dariusz Klimczak

Não quero que me dêem Tempo. Não quero dar Tempo a ninguém (o Tempo não é meu nem teu e não podemos dar algo que não é nosso).


Hoje dou-me ao Tempo, inteira. Para que, com as suas mãos sábias, faça de mim a sua marioneta, numa história com um final mais feliz que o início.


Em breve partirei. Talvez num lugar onde nunca estive, me consiga, por fim, encontrar.
 
By Joana @ 5:04 AM | 1 pegadas na Lua
Sunday, August 24, 2008


Foto: Jacek Chabraszewsky



A velha senhora, de vestes brancas e rosto queimado pelo sol, olhou-me e sorriu. Recolheu os búzios espalhados em cima da mesa e, carinhosamente, estendeu-me as mãos cheias, dizendo: "leve-os, faça deles o que quiser. Oiça o que o Mar lhe diz, mas escreva o seu próprio destino. Sem as mãos, sem a cabeça... só com a Alma".

Cheguei a casa com um bocadinho de ti no meu sorriso*. Sem querer, deixei-me trautear uma música simples (mais ou menos afinada) que agora mora no meu ouvido.


"À espreita está um grande Amor, mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração, na ponta do medo.
Vê como os búzios cairam virados p'ra Norte
Pois eu vou mexer no Destino, vou mudar-te a Sorte".



*Porque a Saudade não mata... mas engorda(-se)

 
By Joana @ 6:07 PM | 1 pegadas na Lua
Sunday, August 17, 2008



Foto: Eddie Cowling



... que estás feliz. É com esse pensamento que aprendo a dormir muito melhor quando a noite vem.

Hoje, talvez para calar uma saudade que não pára de crescer, voltei a casa.

Na praia, sentei-me junto ao mar, com os pés enterrados na areia fria e o Brubeck a tocar só para mim uma música com cheiro a oriente. Fechei os olhos e ali fiquei. Onde o vento ainda me sussurra ecos de ti (como que a cantarolar alguma melodia que sei de cor). Onde o Sol ainda me toca, muito ao de leve, como se fosses tu.

Ali fiquei, a sorrir. Porque sonhar nunca fez mal a ninguém... dizem por aí.
 
By Joana @ 5:30 PM | 0 pegadas na Lua
[Porque todos nós temos necessidade de fazer umas arrumações de vez em quando...]


Foto: Xavier BAGLIN


Quando chegou a casa, a menina encontrou todos os seus bonequinhos espalhados no chão do quarto.

Num misto de saudosismo e felicidade, recordou todas as histórias que, em segredo, foi construindo, com aquelas figuras. Lembrou as aventuras épicas do Grande Dragão, as desventuras do Princípe Ladrão (no seu Castelo com vista para o mar), o pequeno conto do Pescador Molengão, e todas as outras histórias que lhe foram alimentando a imaginação e preenchendo os dias, vividos e sonhados.

Estava agora na altura de arrumar todas aquelas personagens e cenários que a foram vendo crescer. Em caixas, caixotes, caixinhas, prateleiras... e até em sítios que ainda não foram inventados. Cada um no seu lugar. Para amanhã voltarem a fazer parte das suas histórias... ou apenas para ficarem guardados até "sabe Deus quando".


Deixou o boneco mais bonito para o fim. Pegou nele com o carinho do costume e, com a ajuda do seu banquinho, colocou-o na prateleira mais alta que encontrou. Pelo caminho, deu-lhe um beijo, afagou-lhe a cabeça e disse: "Tu ficas aqui em cima. Vou olhar para ti todas as noites, antes de dormir; E depois sonhar que finalmente aprendes a voar... só para vires cá abaixo dar-me um beijo de boa noite e segurar-me na mão enquanto durmo".
 
By Joana @ 4:12 PM | 0 pegadas na Lua
Friday, August 1, 2008
Foto: Zosia Zija


Escolho a mais escondida cratera da minha Lua... e nela construo o meu castelo. Com os mais densos e resistentes materiais, e seguindo todas as leis da Física que conheço, construo em volta de mim estas paredes inquebráveis, sem portas nem janelas.

E deixo-me ficar. Imóvel. À espera que o tempo faça o seu papel.

Aqui não entram Príncipes Encantados, nem Sapos Amaldiçoados, nem Dragões Azuis...
Aqui, nem o vento me consegue sussurrar como fazia dantes, anunciando baixinho essa verdade desoladora de que o Tempo, sozinho, apenas por passar, nada faz; Que temos de ser nós a fazer alguma coisa com o Tempo, para que ele consiga fazer algo por nós.

É neste vazio do meu Castelo, onde nada acontece e nada mais existe senão eu, que sei que hei-de encontrar-me. Um dia as paredes serão areia... e lá fora há uma Lua imensa à espera de ser descoberta.
 
By Joana @ 4:29 PM | 2 pegadas na Lua
Monday, July 28, 2008
Foto: mojalewastopa




Hoje a minha Lua ilumina-se, ganha forma, e sorri só para ti.


Aqui, sentada no meu pequeno mundinho, espero pela primeira estrela cadente. Relembro muitos sorrisos, muitos sonhos... muito, tanto, pouco, ou talvez nada.

Quando o céu se risca, fecho os olhos com força, cerro os punhos e, com o meu entusiasmo quase infantil, peço um desejo por ti... para ti!


Porque hoje é o teu dia.

[E porque os aniversários das pessoas especiais são e serão sempre, por mais longínquos que pareçam, especiais]
 
By Joana @ 5:13 PM | 0 pegadas na Lua
Monday, July 21, 2008
Foto: Ann Texter

*
[Pode a Lua brilhar sem a luz do Sol?]
 
By Joana @ 6:46 PM | 1 pegadas na Lua