No título de um livro da adolescência, encontrei um novo porto de abrigo. Hoje, sento-me na minha Lua e, ao ritmo dos seus ciclos e das marés, vou e venho... cresço, minguo e renasço nova. Um dia, serei cheia.
September 29, 2008
O segredo
Desfez-se o nó na garganta que me sufocava e já não me deixava respirar.
Dei-te o meu pequeno nosso-segredo, sem embrulhos bonitos nem laçarotes. Sem dedicatórias sentidas e trabalhadas. Sem o abraço para selar tudo isso.
Desfaz-se um nó... dão-se outros.
E assim, com o coração apertado e a cabeça invadida de milhares de pensamentos-surpresa que não compreendo e não sei explicar, deixo-me adormecer. Sei que o Tempo fará o seu papel. E tu o teu. E eu o meu.
September 24, 2008
Post-it amarelo
Saí sem fazer barulho, de mansinho, para não te acordar. Na mesa que deixei preparada para o pequeno-almoço, colei um post-it amarelo, que enchi com letras bonitas de menina:
Fui às compras. Não fugi. Não quero fugir,
e mesmo que quisesse não conseguiria.
Para fugir de ti teria de fugir de mim primeiro.
Se eu chegar antes de mim, recebe-me
com um sorriso, diz-me que estiveste sempre aqui
(tal como a saudade), faz-me sentir amada,
e não me largues nunca mais.
BOM DIA!

Foto: Alina Andrei
September 21, 2008
Regras da Sensatez

Andar para a frente. Dar um passo, depois outro. Parar... repensar... mas continuar. Cair. Levantar. Tudo isso faz parte do processo.
Andamos em frente... havemos de chegar a algum lado.
Já parti. Estou longe. Mas, tal como os meninos da história, fui deixando bocadinhos de mim pelo caminho. Talvez pela segurança de conseguir voltar, se a Casinha de Chocolate afinal for demasiado amarga (ou doce).
Procuro a Felicidade noutro lugar, levando comigo o desejo secreto de a encontrar onde tu também estiveres. Noutro lugar, como mandam as regras da canção. Contigo, como mandam as minhas.
"Nunca voltes ao lugar
Onde já foste Feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz"
September 03, 2008
Tempo

August 24, 2008
Búzios

A velha senhora, de vestes brancas e rosto queimado pelo sol, olhou-me e sorriu. Recolheu os búzios espalhados em cima da mesa e, carinhosamente, estendeu-me as mãos cheias, dizendo: "leve-os, faça deles o que quiser. Oiça o que o Mar lhe diz, mas escreva o seu próprio destino. Sem as mãos, sem a cabeça... só com a Alma".
Cheguei a casa com um bocadinho de ti no meu sorriso*. Sem querer, deixei-me trautear uma música simples (mais ou menos afinada) que agora mora no meu ouvido.
*Porque a Saudade não mata... mas engorda(-se)
August 17, 2008
Dizem por aí...
Foto: Eddie CowlingNa praia, sentei-me junto ao mar, com os pés enterrados na areia fria e o Brubeck a tocar só para mim uma música com cheiro a oriente. Fechei os olhos e ali fiquei. Onde o vento ainda me sussurra ecos de ti (como que a cantarolar alguma melodia que sei de cor). Onde o Sol ainda me toca, muito ao de leve, como se fosses tu.
Arrumações
Foto: Xavier BAGLIN
Quando chegou a casa, a menina encontrou todos os seus bonequinhos espalhados no chão do quarto.
August 01, 2008
No meu Castelo
Escolho a mais escondida cratera da minha Lua... e nela construo o meu castelo. Com os mais densos e resistentes materiais, e seguindo todas as leis da Física que conheço, construo em volta de mim estas paredes inquebráveis, sem portas nem janelas.
E deixo-me ficar. Imóvel. À espera que o tempo faça o seu papel.
Aqui não entram Príncipes Encantados, nem Sapos Amaldiçoados, nem Dragões Azuis...
Aqui, nem o vento me consegue sussurrar como fazia dantes, anunciando baixinho essa verdade desoladora de que o Tempo, sozinho, apenas por passar, nada faz; Que temos de ser nós a fazer alguma coisa com o Tempo, para que ele consiga fazer algo por nós.
É neste vazio do meu Castelo, onde nada acontece e nada mais existe senão eu, que sei que hei-de encontrar-me. Um dia as paredes serão areia... e lá fora há uma Lua imensa à espera de ser descoberta.


