July 10, 2013

Carta

Companheiros,

Veio de lá do fundo um gajo de barba e ar pseudointelectualóide  dizer-me “Olha, Mafarrico, vai ali abaixo e escreve uma cartinha de perdão ao Mundo. Com quatrocentas palavras, se fazes o favor”.

Eu tenho cá para mim que o cabrão está doido. Fritou de vez. Fez tilt. Virou o boneco. Uma carta de perdão do Belzebu? E já agora, com as vírgulas no sítio e o vernáculo apurado, queres ver?

Pois saibam vossas excelentíssimas bestas que o Demo não pede perdão. O Demo não sabe sequer o que é o perdão. Não sabe… nem quer saber! Está-se cagando para essas paneleirices. Cada um faz o que tem a fazer. Porque quer, porque decide, porque agiu por impulso… não interessa. Faz. E se fez, está feito. Se incomodou alguém com esse (a)fazer, está incomodado. Não há cá palavrinhas que o safem. A única coisa que o pode safar é o tempo, que leva com ele bocados das pessoas e memórias agarradas. A palavra perdão faz-me urticária e revolta-me as entranhas.

Sacana! Ainda estou a pensar na lata daquele cabrão! Mas pedir perdão pelo quê???  Foi o mundo que começou, porra! Foi o mundo que me criou, vermelho, chifrudo e de cu comprido. “Faz o gajo bem feio para isto ser mais credível”. Foi o mundo que inventou o Mal e o Bem (e depois a linha que os separa). Arranjou uma forma dúbia e pouco clara de atirar as acções e os pensamentos, ora para um lado, ora para o outro. E se caem do lado do Mal, a culpa é do sacana do Satanás. Não é de mais ninguém (e muito menos do mundo). A culpa é do Satanás, que como não tem mais nada com que se entreter, puxa as pessoas para o lado negro. Claro. Isto faz tanto sentido como o outro ter sido parido por uma virgem.



Sou o vosso perfeito alibi. A força que vos move para fazer tudo o que (acham que) não devem, mas que no fundo vos sabe tão bem. Nunca vos escondi nada. Nunca vos prometi milagres. Nunca me vesti de branco nem usei nada na cabeça para além deste belo par de cornos. Portanto, se acham mesmo que fui eu que abri a caixinha da desgraça… então agradeçam-me. Pois a verdade é que nunca foram tão felizes. (ou então, com o devido respeito, ide-vos foder.)


Cordiais cumprimentos,
O Diabo

1 comment:

Mó said...

Adorei :)